Mostrando postagens com marcador petróleo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador petróleo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Petróleo, não Amazônia, é o foco de Temer na Noruega

Protestos contra a política socioambiental do governo Temer - que inclui redução de áreas protegidas, desmantelamento do licenciamento ambiental, grilagem de terras públicas - marcaram a visita do presidente ilegítimo à Noruega ontem e hoje (23/6/17). O aumento do desmatamento nos últimos dois anos de cerca de 30% foi o pano de fundo que marcou - ou manchou - o encontro entre os dois ministros de meio ambiente. O governo norueguês, fiel à sua política de cooperação de resultados, anunciou uma redução de cerca de 50% - mais ou menos R$ 160 milhões - no apoio ao Fundo Amazônia, devido ao aumento do desmatamento.


Capiroto foi recebido com um sonoro #FORATEMER, com sotaque norueguês, em Oslo hoje (23/6/17)

No entanto, a atenção de Temer neste momento está voltada não para a maior floresta tropical do planeta, mas para o mar - mais especificamente, a plataforma continental brasileira e o petróleo que se encontra embaixo do chão. 

A reunião de Temer com o empresariado norueguês foi o ponto principal da agenda do golpista ontem. Recepcionado pela Associação dos Armadores da Noruega - organização que representa os interesses de empresas que fretam embarcações que prestam serviços à Petrobras - a delegação brasileira gastou a tarde confabulando como os interesses do empresariado norueguês no Brasil podem ser preservados nesse clima de crise.

O setor de petróleo norueguês é o salva-vidas da Petrobras na era pós-petrolão. A petroleira estatal norueguesa Statoil é hoje a maior operadora em solo brasileiro depois da Petrobras, e vem expandindo a passos largos seus ativos no Brasil. A empresa já investiu cerca de USD 10 bilhões no Brasil, e tem planos de triplicar sua produção até 2030. Fez um lobby poderoso mas silencioso para reformar o marco legal do pré-sal, de forma a permitir que empresas estrangeiras pudessem se tornar operadoras de campos na região do pré-sal, o que antes era algo reservado apenas à Petrobras. 

Uma vez aberta a porteira e alterada a lei - o que Temer fez questão de priorizar assim que sentou na cadeira de presidente -, a empresa se apressou em adquirir a participação da Petrobras no campo de Carcará, na região do pré-sal, pelo valor de USD 2,5 bilhões - mais do que o dobro do apoio prometido ao Fundo Amazônia desde seu início, de uma tacada só. Metade do negócio foi desembolsado adiantado, em dinheiro, para ajudar a Petrobras a fazer caixa e sair da lama. O acordo foi questionado na justiça por não ter sido objeto de licitação, mas a petroleira norueguesa até agora tem conseguido dobrar os juízes brasileiros, mantendo a validade do negócio.


Statoil segue ampliando seu portfolio de ativos no Brasil, agora também como operadora no pré-sal, graças à mudança na legislação promovida por Temer. 

De outro lado, uma miríade de pequenas e médias empresas norueguesas que orbitam em torno da Petrobras foram as grandes "perdedoras" de toda a onda do petrolão. No calor da crise, uma das medidas tomadas pela Petrobras foi enxugar sua carteira de fornecedores, rescindindo contratos de afretamento de embarcações norueguesas no valor de bilhões de dólares. Agora, elas querem entrar no jogo de novo. Certamente essa foi a principal mensagem do empresariado norueguês para Temer. 


Para agrada-los, nada melhor do que um gordo pacote de incentivos fiscais. É o que Temer pretende priorizar através da renovação do REPETRO, o regime de bondades fiscais que se aplica a exportação e importação de bens e serviços utilizados na produção petrolífera, e cujo prazo expira em 2019. Sem a renovação do REPETRO, difícil fazer o setor voltar a bombar como há dez anos atrás.

Não surpreenderia se esta fosse a próxima bola da vez, depois que ele voltar ao Brasil. Isso se ele conseguir se manter na cadeira por tempo suficiente. Sinceramente espero que não.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Failure to comply with safety procedures caused explosion on Norwegian oil vessel in Espírito Santo

Yesterday (11/6/15), exactly four months after the platform vessel Cidade de São Mateus exploded  40 km offshore of Aracruz, Espírito Santo, Petrobras released a press note informing that noncompliance with operational safety procedures was the main reason of the accident that caused 9 deaths. The vessel is owned and operated by Norwegian company BW Offshore on behalf of oil-giant Petrobras.

The technical report has been forwarded by Petrobras to Brazilian oil agency ANP, Federal and Civil Polices. Petrobras also stated that "the information that we had been previously warned about such failures is incorrect", thus indirectly ascribing the Norwegian company full responsibility over the accident.

FPSO Cidade de São Mateus: failure to comply with safety standards caused gas explosion.
Photo: Capitania dos Portos do ES/Divulgação

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Fundo do Petróleo norueguês excluirá carvão de seus investimentos

Ontem (28/5), o parlamento norueguês (Stortinget) deu um passo inédito para reduzir os investimentos globais em combustíveis fósseis. Partidos de oposição e governo concordaram, no âmbito da Comissão de Finanças do parlamento, em estabelecer regras para excluir as empresas que exploram carvão do portfólio de investimentos do Fundo de Petróleo norueguês, um dos maiores fundos de investimento do mundo (cerca de US$ 900 bilhões). O acordo ainda vai a votação formal no próximo dia 5 de junho, mas tudo indica que deve ser consolidado, diante do consenso político alcançado. A notícia foi comemorada por organizações ambientalistas norueguesas, que há tempos já vinham atuando politicamente no sentido de aprovar essa regra.


Termelétricas a carvão na China também recebem investimentos do Fundo de Petróleo norueguês.
Foto: Jason Lee/Reuters /NTB Scanpix

As regras, que futuramente devem vir a fazer parte das diretrizes éticas do Fundo, determinam que empresas que tenham mais de 30% de seu faturamento ou de suas atividades relacionados à exploração de carvão devem ser excluídas do portfólio do Fundo. Essa regra deve se tornar parte das diretrizes éticas administradas pelo Conselho de Ética (Etikkrådet) do Fundo, entidade autônoma que tem o poder para investigar violações e aplicar os critérios para exclusão de empresas do Fundo. O carvão entra agora na lista dos investimentos proibidos do Fundo, somando-se ao tabaco e armamento (este último com exceções).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Hvem betaler prisen på det norske oljeeventyret i Brasil?

I går (11/02/15) eksploderte produksjonskipet (FPSO) Cidade de São Mateus i Aracruz, Espírito Santo, Brasil. Minst fem personer er bekreftet omkommet i ulykken. Saken har fått stor oppmerksomhet i brasiliansk media og er betraktet som den mest alvorlige ulykken i oljebransjen på fjorten år.

Ifølge oljearbeidernes fagforening Sindipetro/ES skal årsaken til ulykken ha vært en gasslekkasje på grunn av manglende vedlikehold og dårlig utstyr. Sindipetro/ES hevder at en bevisst strategi for outsourcing arbeidet på plattformer har svekket kapasiteten til å opprettholde høye sikkerhetsstandarder i oljevirksomheten i Brasil. Havnemyndighetene i Brasil har iverksatt en teknisk etterforskning av årsakene til ulykken og resultatene blir offentliggjort om 90 dager.


Imagem de arquivo da plataforma FPSO da Petrobras, em São Mateus, Espírito Santo (Foto: Divulgação)
FPSO Cidade de São Mateus

Produksjonskipet som eksploderte i går eies av det norske selskapet BW Offshore og har blitt utleid til Petrobras fra 2009 til 2018 for 4,1 milliarder norske kroner. BW Offshore er et av mange norske selskaper som tjener fett på brasilianske søkkelen. Ifølge statssekretæren til olje- og energidepartamentet Kåre Fostervold (FrP) er Brasil det nest største internasjonale markedet for den norske offshore supply og serviceernæringen, med en omsetning på til sammen 31 milliarder norske kroner kun i 2013.

I tillegg får norske offshorerederier store skattelettelser i Brasil. Et fritak på kildeskatt reduserer fra 15 prosent til null skatten på utbetalinger til utenlandske selskaper som leier ut skip i Brasil. Dette betyr en fabelaktig økonomisk fordel for norske rederier som leier forskjellige båter og skip til Petrobras.

Når dette er sagt og når man ser på hvor alvorlig situasjonen er i Espírito Santo akkurat nå må det være lov å spørre seg hvorvidt BM Offshore opptrer ut fra de semma etiske- og sikkerhetsstandarder man forventer at de følger hjemme i Norge. Og hvorvidt det tar opp et ansvar så stort som sitt økonomiske gevinsten.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pelo direito de pitar na plataforma

Outro dia pesquei um exemplar na cesta de livros de um sebo no centro de Oslo: "A Greve na Plataforma Statfjord A" (Ø.M. Halvorsen, 1978). Arrematei a pechincha e, curioso, fui ler sobre a greve que dominou o noticiário nacional em 1978, ainda quando a indústria petrolífera norueguesa dava seus primeiros passos.
A greve que parou a plataforma por uma semana teve como motivo um aviso proibindo o fumo nas plataformas-alojamento, onde os trabalhadores dormiam:
"A partir de domingo, 6 de agosto, fica proibido atravessar a ponte para a Polymariner para fumar. Violação dessa norma levará a consequências disciplinares."
O campo de Statfjord, que fica na divisa da plataforma continental norueguesa com a inglesa, foi descoberto em 1974. O campo tem três plataformas integradas: Statfjord A, B e C, e o reservatório de óleo fica a uma profundidade entre 2500 e 3000 metros.
A plataforma Statfjord A fica localizada na parte central do campo, e começou a produzir em 1979, com reservas recuperáveis de 569 milhões de m3 de petróleo. Hoje, restam apenas 4,8 milhões de m3 a serem extraídos.

File:StatfjordA(Jarvin1982).jpg
Plataforma Statfjord A conectada ao alojamento flutuante Polymariner. Jarle Vines, 1982
A construção dessas plataformas em alto-mar é cercada de tragédias e histórias épicas. Na Statfjord A não foi diferente. Um acidente durante sua construção, em fevereiro de 1978, custou a vida de 5 mergulhadores, presos em um incêndio no interior de um dos três pilares de concreto da plataforma, a 50 metros de profundidade.
A situação dos trabalhadores na plataforma era pouco abonadora. A operadora da plataforma era a norte-americana Mobil (hoje ExxonMobil), cujos líderes comumente se referiam aos operários noruegueses como "white niggers". A situação sanitária tampouco era um mar de rosas: cerca de 8 fétidos banheiros disponíveis para 800 homens. Pitar já era proibido na plataforma de produção, permitido apenas nos cafés durante as pausas de trabalho. A proibição se ampliou também aos cafés, e restaram apenas os alojamentos como locais permitidos para fumar. Quando cartazes surgiram proibindo os trabalhadores de se locomoverem aos seus alojamentos para pitar durante as pausas de trabalho, foi a gota d'água. Cerca de 1000 trabalhadores da Brownaker, subcontratada da Mobil, cruzaram os braços pelo direito de pitar. Difícil imaginar algo parecido hoje, onde até na rua ficou proibido fumar.
 













 

Charge de Roar Hagen no jornal Stavanger Aftenblad: "É claro que eu pito onde eu quiser!"


O livro conta em detalhes como foi a negociação entre o comando da greve e a empresa, bem como a cobertura jornalística dada ao evento por jornais de todo o país. É um relato impressionante do embate pelos direitos trabalhistas em um ambiente semi-selvagem de febre do ouro, e de como o comando da greve na plataforma mantinha sua coesão em meio a pressões, fura-greves e pelegos, em alto-mar e no continente.
O relato também dá uma perspectiva interessante de como a proibição ao fumo se naturalizou ao longo das décadas. A certa altura da greve, o jornal VG publicou, na seção "5 na rua" (em que pessoas são aleatoriamente entrevistadas sobre um assunto), o resultado da enquete "Você apoia a greve contra a proibição ao fumo?" (8/8/1978).
Olha a resposta do cidadão Hans Christophersen: "Eles devem dar um jeito de alguma forma liberar o fumo em intervalos regulares. Eu mesmo fumo, inclusive no meu local de trabalho. Jamais aceitaria uma proibição ao fumo aqui."  De 5, quatro apoiaram os trabalhadores em sua reivindicação.
O resultado da greve? Claro, depois de uma semana parados, a empresa cedeu e arrancou os cartazes proibindo o fumo. E assim ficou garantido o direito dos trabalhadores de pitar na plataforma.


Fontes: 
Faktasider, Oljedirektoratet
Streiken på Statfjord A, Ø.M. Halvorsen, Forlaget Oktober A\S, Oslo 1978
Wikipedia

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Noruega investe 27 vezes mais na destruição do que na proteção das florestas

"O governo norueguês investe massiva e crescentemente em indústrias responsáveis pela severa destruição das florestas tropicais. Através de seu polêmico fundo de pensão, a Noruega está violando seus compromissos internacionais em reduzir sua participação no desmatamento." Assim abre o interessante relatório lançado recentemente pela Rainforest Noruega e Naturvernforbundet, que investiga a participação do Fundo do Petróleo Norueguês em empresas responsáveis pela destruição de florestas tropicais.



As organizações lançaram o estudo no mesmo dia em que o ministro das finanças Sigbjørn Johnsen apresentou os resultados da administração do Fundo do Petróleo para 2011 ao parlamento norueguês.

Os números são impressionantes: enquanto a Noruega contribui com US$ 500 milhões/ano para a política de REDD+, o Fundo do Petróleo investe US$ 13,7 bilhões em 73 diferentes empresas,  em setores que são os principais drivers do desmatamento. E mais: é justamente esses setores que respondem pela maior lucratividade dentro da carteira do Fundo que, em um ano de crescimento negativo (-8,8% em 2011), contou com um crescimento de 13,6% no valor das ações advindas justamente dessas empresas.

No Brasil, o Fundo do Petróleo Norueguês detém ações em empresas como Marfrig, Bunge, Petrobras e Vale, que são verdadeiros gigantes dos setores de pecuária, soja e mineração, os mais ameaçadores vetores de desmatamento atuais.

 Lars Løvold, da Rainforest Noruega, arrochou o primeiro ministro: "Jens Stoltenberg não pode simplesmente ficar parado e aceitar que o projeto favorito do governo para a proteção das florestas tropicais seja sabotado por cada vez mais recursos do petróleo norueguês investidos na destruição dessas florestas". E cravou: "se o primeiro ministro Jens Stoltenberg pretende ter alguma credibilidade restante quando fala dos milhões noruegueses para as florestas tropicais, é preciso agir imediatamente".






quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Os riscos do petróleo lá e aqui

Numa excelente reportagem publicada pela revista Piauí, o jornalista Luiz Maklouf Carvalho expôs um lado pouco visto da indústria petrolífera, atualmente em estado de euforia pelas prometidas reservas do pré-sal: o dos riscos da intensificação da exploração de petróleo e da falta de preparo das empresas para lidar com acidentes. Maklouf descreve o trabalho do Ibama no monitoramento dos Planos de Emergência Individuais, feito através de testes simulados, e como a Petrobrás tem repetidamente bombado nas provas.
Fonte: Revista Piauí, ed. 50
Mais recentemente, sua correspondente norueguesa, a poderosa Statoil, também vem recebendo críticas do Klima- og Forurensningsdirektoratet (Klif), o equivalente ao Ibama norueguês, responsável por monitorar a capacidade de resposta a emergências (oljevernberedskap) das empresas operadoras que atuam no Mar do Norte. Em seis meses, a Statoil foi notificada duas vezes pelo Klif, que identificou, através de auditorias, irregularidades no sistema de emergência da empresa em Haltenbanken e no terminal de Sture, em Hordaland.

Pois é, não é só aqui no Brasil que as empresas são pouco preparadas para atuar em emergências. Mas o interessante aqui é dar uma olhada no quê de errado existe nos planos de emergência das petrolíferas brasileira e norueguesa.

No Mar do Norte, as auditorias da agência ambiental norueguesa sobre a estatal petrolífera acusou falhas da seguinte natureza: lacunas na base de análise e nos documentos dos planos de ação emergencial, falta de documentação que ateste que os planos estão baseados na regulamentação vigente, falta de informação no portal de transparência sobre acidentes (oljeportalen.no), falha na verificação da suficiência dos sistemas de emergência, entre outras falhas de documentação ou de caráter formal. A empresa reconheceu que pode melhorar, mas negou que os sistemas de emergência não estejam funcionando.

Enquanto isso, no Brasil, em um dos testes simulados feitos pelo Ibama junto à Petrobras, os técnicos identificaram problemas deste nível: “Houve problemas no lançamento da barreira de contenção, que não foi inflada completamente, e houve a quebra do skimmer após a sua colocação na água.” Ou seja, aquelas bóias que limitam o esparramo do petróleo no mar não encheram, e a bomba que chupa o petróleo para fora do mar  (skimmer) quebrou. Sequer o helicóptero utilizado na operação tinha combustível suficiente para sobrevoar a área afetada pelo tempo necessário. Na prática, se real fosse o exercício, a Petrobras não teria sido capaz de reagir em tempo, diante de tantas falhas materiais. Detalhe: fora previamente avisada da data do exercício. Em um segundo parecer sobre a capacidade de resposta da Petrobras, a equipe do Ibama conclui: “Levando em conta as pretensões da empresa em ampliar suas operações de exploração e produção de óleo na Bacia de Santos, entende-se que, para futuros empreendimentos, a empresa deverá reformular toda a sua estrutura de emergência.”

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

'Fundo Amazônia abriu as portas para o petróleo norueguês no Brasil'

Essa é a manchete que pincei da 'gazeta mercantil' da Noruega (Dagens Næringsliv). Segundo a notícia, o bilhão de coroas para o Fundo Amazonas facilitou a entrada do setor de petróleo norueguês no Brasil, de acordo com o ministro de petróleo e energia Terje Riis-Johansen.' O fundo amazonas tem tido boas referências no Brasil, a Noruega tem uma política diplomática ativa e estamos presentes em vários lugares, e essa presença tem conferido uma vantagem ao setor privado noruegues no Brasil'.
O jornal tem feito a cobertura da Rio Oil&Gas,
mega feira/conferencia do setor petrolifero que está rolando nesta semana (http://www.ibp.org.br/main.asp?View={AC0F4AD6-1B4A-4237-8D0D-B8EEDCB6354B}). A Noruega tem um stande enorme e conta com a presença de 50 empresas.
Na sequencia do jornal tem outra manchete que diz "Statoil deve adquirir participação na Petrobrás", que resume fofocas de bastidores de investidores noruegueses que acreditam que a Statoil deve adquirir participação na Petrobras a partir da oferta pública que será aberta em breve, de até US$ 90 bilhões. O perfil da industria norueguesa no Brasil hoje é de prestador de serviços técnicos, embora a Noruega também detenha a exploração de plataformas. A meta é expandir a participação norueguesa também na produção, já que (esta era outra manchete) a "Petrobras deverá dobrar sua produção" até 2014, com previsão da ordem de 240 bi de investimentos no período. Empresas estão interessadas em comprar terras para se instalarem ao longo da costa brasileira, para além do RJ, "haverá grande atividade ao longo de grandes áreas da costa" diz um investidor.
Outra nota diz que o governo norueguês vem buscando atrair também a Petrobrás para participar como investidor no campo de Mongstad, onde estão desenvolvendo a tecnologia de bombear carbono para dentro da terra. Chineses também tem sido procurados pelos norueguêses para botar fichas no projeto, vendido pelo primeiro ministro Stoltenberg como "o próximo pouso lunar", mas que recentemente teve verbas contigenciadas (motivo de crítica ao governo pelos ambientalistas).
Babado norueguês está forte no Rio...
Seguem os links:
http://www.dn.no/energi/article1975276.ece
http://www.dn.no/energi/article1975295.ece
http://www.dn.no/energi/article1975896.ece

segunda-feira, 21 de junho de 2010

From 'bacalhau' to offshore oildrilling: impressions on a Norway-Brazil cooperation


In Brazil, when someone thinks of Norway the first thing that comes to mind is the famous bacalhau (codfish), the main Thanksgiving dinner specialty in Brazilian homes. There is even a popular saying when one refers to something extremely rare: rare as 'codfish head', because of the Norwegian cod that arrives salted and headless in those wood boxes to the Brazilian ports. Bizarrre as it is, no Brazilian has ever seen a codfish head in his/her entire life, and that legend still lives strong.
Having a background on advocacy for indigenous peoples' and environmental rights in a Brazilian NGO (Instituto Socioambiental - ISA) my perceptions on Norway have evolved somewhat beyond the 'bacalhau legacy'. Since 1980's Norway has long been seen under a positive light by those who work in civil society advocacy in Brazil in the fields of environmental and indigenous peoples' rights. The Norwegian government has contributed for the strenghtning of indigenous peoples' rights in Brazil for the past 27 years through Norad's Program for Indigenous Peoples, which has promoted the visibility of indigenous peoples' claims to rights and the consolidation of these rights from the Federal Constitution until today. Norwegian NGOs such as Regnskogfondet have worked for the establishment of the Alternative Cooperation Network in Brazil, a network of indigenous and non-indigenous organizations founded in 1997 that has become an important space for the exchange of experiences, problems and political strategies of indigenous peoples and allies in fields such as territorial management, health and education. Without the efforts from Norwegian government and NGOs there would certainly have been more difficult to attain the actual level of recognition of indigenous rights in Brazil.
In the environmental policy field Norway's role has been also increasingly important in the struggle to detain deforestation in the Amazon. Norway and Brazil were key players in the development of the REDD1 concept and the implementation of pioneering mechanisms of support such as the Amazon Fund (with a contribution of US$ 1 billion up to 2013 depending on results). Norwegian cooperation support to Brazilian civil society has played a relevant role to resist political pressures against forest protection legislation and to implement local scale solutions in Amazonian river basins through networking2 with stakeholders. Even though many questions and dillemmas still persist about the way REDD policies should be, the Nordic country has been far more active than its european neighbours as far as climate and forest policies are concerned. In the multilateral arena Norway has also been playing a vital role of bridging diverting interests between the so-called developed and developing countries, not only in the climate change negotiations but also on other less hyped fora such as the negotiations around access to genetic resources and intellectual property policies.
After living in Norway for one year, my perspective on the country has changed, some perceptions were confirmed, others crashed - such as to witness a live codfish with a head swimming in the Bergen's Aquarium. Something new for me was also the fact that Norway was not a rich country until the 1970's, when oil reserves were discovered in the North Sea. But contrary to most of the countries which experienced such circumstances - a sudden access to economic wealth - income inequalities and disparities in social classes were not experienced in Norway. The parlament and society were mature enough to create national reserves from the oil income for future generations, while maintaining strong State participation over oil, gas, mining, and energy industries, and keeping strong social policies. Norway has been trying to 'export' this policy know-how through the so-called 'Oil for Development' initiative3, even though Brazil is not one of its members.
Gradually other perceptions began to play with my image of Norway as the fair and just country which cares for the social welfare of peoples. Such as for example the fact that Norwegian politics are actually much more conservative than I though. I was surprised to read about the 'blue wave' of conservatism and the rise of extreme-right wing parties in the parlament. Last year's election debates were constantly dealing with questions such as the exhaustion of the welfare State model in place and the need to embrace a more capitalistic-oriented policy with more room to private capital and less State intervention. The two most right-winged parties have tipped the balance against the red-green socialist coalition, disputing tight every seat in the parlament.
The perceptions on the Sami indigenous people - as well as immigrants and foreigners - were also quite dissonant from the principles of multiculturalism and democracy that I believed were common sense around here. Prejudice and intolerance were also quite often, judging from heavily biased newspapers to everyday small episodes of veiled hate against Somalis or Muslims citizens in the streets of Oslo. Even though Norway was the first country to ratify the ILO4 Convention 169 on Indigenous Peoples Rights back in 1989, it is not rare to hear sharp critics against the 'excess of rights' held by the Sami people in the Finnmark county, and the need to eliminate these rights for the sake of democracy and equal rights. Fremskrittspartiet, the most right-winged party in parlament, claims at Norway should formally withdraw from the ILO 169 Convention.
Among all, corporation interests linked to oil and mining industry are perhaps the most important link between the two countries today. Norway has an aggressive oil industry with high technology that competes in different countries. In Brazil, the interests are linked to the exploitation of offshore oil fields and transfer (meaning sale) of technology to deepwater drilling. At the same time, oil cities that concentrate such activities, such as Macaé (RJ), are way far from Stavanger: poverty and drug wars are still the mainstream among the majority. Never have so many Norwegian companies established offices in Brazil, and never have Norwegian capital acquisitions been so large.
NorskHydro, a partially State-owned mining industry, recently bought aluminum operations from mining-giant Vale in Brazil for US$ 5.3 billion (five times the Amazon Fund until 2013 if everything goes well). The NorskHydro/Vale deal was highlighted as a historic and strategic move from the Norwegian industry, as it would allow the country to reach self-sustainable levels of primary commodities for the Norwegian aluminum industry, without having to compete with the hungry Chinese market. From the perspective of Vale, the Brazilian side of the deal, it was a good opportunity to get rid of the high energy costs (economic, social and environmental) associated with the aluminum chain, while keeping a foot inside NorskHydro's board of directors. From the perspective of many other Brazilians, like myself, the NorskHydro/Vale deal shows Brazil as the country who repeats its colonial fate of exporter of raw material to industrial countries, sending away resources (many times importing them back once manufactured), bearing the well known social and environmental costs of the exploitation, and with no added value at the local or regional level. Pará state in Brazil, where the aluminum hub is located, is the example of concentration of wealth and social exclusion generated by these greenfield projects: US$ 7.2 billion trade balance in 2007, while holding the third worst position among states in the GNP5 per capita.
By the way, NorskHydro bought itself into the highly problematic energy policy in Brazil, aimed at the exploitation of hydroelectric potential in Amazonian rivers through large-scale dams, with huge socioenvironmental impacts (and not necessarily high efficiency). For example, the dispute over the Belo Monte dam in the Xingu river, with over 20 years of social resistance, will certainly affect the new Norwegian owners, who will need a lot of energy in Brazil to keep their plants going and sustain the 5th place in the ranking of alumina producers in the world. Twenty to forty thousand people will be extruded from their lands because of the Belo Monte dam, and 500,000 people are expected to migrate to the region in search of a job. The government itself recognizes that it does not have the complete dimensions of the impacts of such enterprise. 
At this point it is fair to ask: is it likely that the impacts of Belo Monte and other enterprises associated to the aluminum expansion fever can be greater than the efforts deployed to avoid deforestation through the Amazon Fund and REDD policies?
Both governments in Norway and Brazil should be concerned about this and work to bridge this contradiction gap so as to avoid losing genuine efforts or being accused of greenwashing.
Today (21/06/10) the Norwegian government gave another step towards deepening relations with Brazil: the launching of the 'Strategy Brazil'1. The initiative is coordinated by the Ministry of Foreign Affairs and Ministry of Industry and Commerce, with participation of the Ministries of Environment and Oil&Gas. The strategy will focus on four areas: industry (focus on oil&gas and mining), environment (climate&forest policy), research and education. The contradictions that may arise from the combination of heavy-impact industries with social and environmental concerns were acknowledged by the authorities and seen as something natural to the process. But just acknowledge that seems too little.
At a time when Norwegian business interests in Brazil is about to reach another dimension, it is important to improve standards of corporate socioenvironmental responsibility along all the production chain, from local production/extraction to export and final consumption in Norway. They should also aim at active policies to give transparency to corporate decision-making that may affect the population, generate (and redistribute) value and genuinely improve livelihoods at the local level, even if it represents higher taxes. 

 
1Regjeringens Brasilstrategi

1Reduced Emissions from Deforestation and Degradation
2 such as the Y'Ikatu Xingu Campaign (http://www.yikatuxingu.org.br/)
3http://www.norad.no/en/Thematic+areas/Energy/Oil+for+Development
4International Labour Organization
5Gross National Product